Acumular milhas, acessar salas VIP em aeroportos, viajar com IOF zerado e ter seguro viagem incluído sem pagar a parte — esses são os benefícios que separam um cartão de crédito comum de um cartão pensado para quem viaja. Em 2026, o mercado brasileiro nunca teve tantas opções nesse segmento: fintechs digitais disputam o espaço com os grandes bancos tradicionais, e o viajante que souber comparar corretamente pode sair na frente tanto em economia quanto em conforto.
Mas atenção: cartão de viagem não é sinônimo de cartão caro. Há opções competitivas em praticamente todas as faixas de renda — do cartão sem anuidade para quem viaja uma ou duas vezes por ano ao cartão Black com sala VIP ilimitada para o viajante frequente de alta renda. O erro mais comum é escolher pelo nome do banco, não pelos benefícios que fazem sentido para o próprio perfil de viagem. Este guia organiza as melhores opções disponíveis em 2026 por perfil — e explica o que cada uma entrega de verdade.
O que faz um cartão ser bom para viagem: os critérios que importam
Antes de comparar cartões, é preciso saber o que avaliar. Nem todo benefício listado na embalagem tem valor real para todos os perfis de viajante — e uma anuidade cara pode se pagar com facilidade para um perfil e ser desperdício para outro.
Os critérios que realmente importam na escolha de um cartão para viagem são:
Acúmulo de pontos ou milhas: a taxa de acúmulo — expressa em pontos por dólar gasto — determina quão rápido você acumula milhas para trocar por passagens. Os melhores cartões para milhas são os que pontuam de 2 a 3 pontos a cada dólar gasto ou equivalente em reais. Geralmente, essa pontuação se encontra nos cartões Mastercard Black, Visa Infinite, Amex Platinum ou Elo Nanquim.
IOF nas compras internacionais: a alíquota padrão de IOF sobre compras em moeda estrangeira é de 3,38%. O uso do cartão de crédito no exterior tem perdido espaço com a popularização das contas internacionais, principalmente por causa do IOF e das taxas que encarecem o dólar. Ainda assim, alguns cartões conseguem se destacar ao oferecer isenção de IOF, tornando-se uma alternativa interessante para quem busca economia sem abrir mão de benefícios como acúmulo de pontos ou milhas.
Acesso a salas VIP: o LoungeKey é um programa com mais de 1.200 salas VIP no mundo, oferecido por alguns cartões de crédito de alta renda. Porém, alguns bancos permitem o acesso gratuito ilimitado, outros oferecem alguns acessos sem custo, enquanto para parte dos cartões cada visita custa US$ 32 por pessoa — o que sai bem caro.
Seguro viagem incluído: muitos cartões de nível Visa Infinite ou Mastercard Black incluem seguro viagem automático para compras de passagem feitas no cartão. Os limites de cobertura variam e precisam ser verificados antes de dispensar a contratação de seguro separado.
Isenção de anuidade: a maioria dos melhores cartões para viagem tem anuidade — mas muitos permitem isenção total ou parcial mediante metas de gastos mensais. Entender essas metas é fundamental para calcular o custo real do cartão.
Comparativo geral dos critérios por categoria de cartão:
Critério / Entrada (sem anuidade) / Intermediário (Platinum) / Premium (Black/Infinite)
- Pontuação por dólar: Até 1 ponto / 1,5 a 2,5 pontos / 2,5 a 7 pontos
- Acesso a salas VIP: Não / Limitado (2 a 4 visitas) / Ilimitado ou amplo
- IOF zerado: Raro / Raro / Disponível em alguns
- Seguro viagem: Básico / Intermediário / Completo
- Anuidade média: Zero / R$ 400 a R$ 900/ano / R$ 1.000 a R$ 3.000/ano
A escolha certa equilibra o custo da anuidade com o valor real dos benefícios que você vai usar. Quem não entra em sala VIP, não acumula milhas suficientes e paga anuidade de cartão Black está jogando dinheiro fora.
Nubank Ultravioleta: o Black digital mais acessível de 2026
O Nubank Ultravioleta consolidou em 2026 sua posição como o cartão Black mais democrático do Brasil — um produto premium sem a burocracia e a exigência de relacionamento bancário dos grandes bancos tradicionais.
As compras internacionais feitas no cartão de crédito Ultravioleta têm IOF zero e spread de 3,5%, com acúmulo a partir de 2,2 pontos por dólar gasto ou 1,25% de cashback. O titular e sua família têm 4 visitas gratuitas por ano às mais de 1.700 salas VIP da rede Priority Pass no mundo todo. Ao comprar passagens aéreas e reservar hotéis pelo Nu Viagens, a pontuação sobe para 9 pontos por dólar gasto ou 5% de cashback.
A anuidade é de R$ 1.068 — equivalente a 12 parcelas de R$ 89 — mas pode sair gratuita para quem gasta a partir de R$ 8.000 por mês. Para quem concentra os gastos do mês no cartão — incluindo contas fixas, supermercado e compras do dia a dia — essa meta é atingível sem esforço adicional.
O Ultravioleta também oferece 10 GB de internet gratuita por ano em viagens fora do Brasil via eSIM Internacional — um benefício prático que elimina a necessidade de comprar chip local ou pagar roaming nos primeiros dias da viagem.
Em relação aos programas de milhas disponíveis para transferência, os pontos acumulados no Nubank podem ser transferidos para os principais programas de milhas do Brasil, com paridade 1:1 — cada ponto Nubank equivale a uma milha no programa escolhido. Os programas disponíveis incluem LATAM Pass, Gol Smiles e Azul Fidelidade.
O ponto de atenção: o Nubank Ultravioleta não é o cartão mais agressivo em milhas, mas é um dos mais equilibrados do Brasil. Para quem prioriza acúmulo máximo de pontos, há opções com taxas mais altas — mas o conjunto de benefícios, a facilidade de aprovação e a experiência digital tornam o Ultravioleta uma das melhores relações custo-benefício do mercado em 2026.
“O viajante brasileiro ganhou muito poder de barganha nos últimos anos com a chegada das fintechs ao segmento premium”, observa Rafael Matos, analista de mercado financeiro especializado em produtos bancários e programas de fidelidade com cobertura do setor há mais de oito anos. “Cartões que antes exigiam renda de R$ 20 mil e relacionamento exclusivo agora têm concorrentes digitais com benefícios equivalentes — e aprovação pelo aplicativo em minutos.”
Perfil ideal: viajante que viaja de duas a seis vezes por ano, quer acúmulo de milhas e sala VIP sem burocracia bancária, e tem gastos mensais entre R$ 5.000 e R$ 15.000.
BRB Dux Visa Infinite: o rei das salas VIP no Brasil
Para quem viaja com frequência e coloca o acesso a salas VIP como prioridade máxima, o BRB Dux Visa Infinite é, em 2026, o cartão de maior cobertura do mercado brasileiro nesse quesito.
O BRB Dux Visa Infinite é o único do Brasil a oferecer acessos ilimitados às salas VIP dos programas Priority Pass, LoungeKey e Dragon Pass com até três convidados. Em termos práticos, isso significa acesso irrestrito a mais de 1.500 salas nos principais aeroportos do mundo — sem custo adicional por visita e incluindo acompanhantes.
O cartão oferece de 5 a 7 pontos por dólar em compras, a maior pontuação do mercado entre os cartões brasileiros. A anuidade é de R$ 1.680, com isenção total para gastos acima de R$ 35 mil por mês. Para viajantes com volume de gastos elevado, a meta de isenção é atingível — e os benefícios de sala VIP ilimitada para toda a família justificam facilmente a anuidade mesmo quando ela é cobrada.
Os cartões BRB são exclusivos para correntistas do banco com renda mínima de R$ 10 mil. O BRB — Banco de Brasília — tem presença mais forte no Centro-Oeste, mas opera em todo o território nacional e permite abertura de conta digital pelo aplicativo.
Comparativo entre acesso a salas VIP nos principais cartões de 2026:
Cartão / Programa de Salas / Acessos Gratuitos / Convidados
- BRB Dux Visa Infinite: Priority Pass + LoungeKey + Dragon Pass / Ilimitado (com R$ 5 mil/mês) / Até 3
- Nubank Ultravioleta: Priority Pass / 4 por ano / Família inclusa
- Amex Platinum Bradesco: American Express Lounges / Ilimitado / 1 acompanhante
- BRB Mastercard Black: LoungeKey / 3 por ano / Não inclui
- PicPay Card Black: Mastercard Black GRU / Ilimitado (GRU) / Não informado
Para o viajante que embarca mais de seis vezes por ano e tem acompanhantes, o BRB Dux entrega o maior valor em sala VIP de qualquer cartão disponível no Brasil. Para quem viaja menos, os quatro acessos anuais do Ultravioleta costumam ser suficientes.
Perfil ideal: executivo ou viajante de alto volume com renda acima de R$ 10 mil, que faz mais de seis viagens internacionais por ano e viaja frequentemente acompanhado.
American Express The Platinum Card: o clássico que ainda entrega
O American Express The Platinum Card — emitido no Brasil pelo Bradesco e pelo Santander — é um dos cartões mais reconhecidos no mundo para viajantes de alta renda. Em 2026, ele ainda entrega um conjunto de benefícios relevante, mas enfrenta concorrência mais acirrada do que em anos anteriores.
No Bradesco, a anuidade do Amex Platinum gira em torno de R$ 1.749, enquanto no Santander fica em aproximadamente R$ 1.450. Em relação ao acúmulo de pontos, no Bradesco são 2,2 pontos por dólar no Brasil e 3,0 pontos no exterior, convertidos para a Livelo. O Santander oferece 2,2 pontos por dólar, com opção de transferência para Esfera ou Membership Rewards.
O grande diferencial do Amex Platinum está na rede de salas VIP American Express — reconhecidas como algumas das melhores do mundo em conforto e gastronomia — e no acesso a benefícios de status em redes de hotéis como Marriott e Hilton, que os cartões de bancos tradicionais brasileiros raramente oferecem.
O The Platinum Card Bradesco continua sendo um bom cartão, especialmente para quem valoriza conforto em viagens e acesso a salas VIP. No entanto, o avanço da concorrência fez com que ele deixasse de ser referência absoluta no segmento — entregando uma boa experiência, mas com custo elevado e menos diferenciais do que no passado.
Para quem viaja com frequência para os Estados Unidos e Europa — onde os Centurion Lounges da American Express são especialmente valorizados — o Amex Platinum ainda justifica a anuidade. Para rotas predominantemente domésticas ou destinos onde os lounges Amex têm presença limitada, outras opções podem entregar mais valor pelo preço.
Perfil ideal: viajante frequente internacional com foco em Estados Unidos e Europa, que valoriza status em hotéis e o prestígio da bandeira American Express no exterior.
Cartões de entrada e intermediários: opções para quem não quer pagar anuidade alta
Nem todo viajante precisa de um cartão Black ou Infinite. Para quem viaja uma ou duas vezes por ano, o foco deve estar em cartões que oferecem bom acúmulo de milhas sem anuidade pesada — ou com isenção fácil de atingir.
Há cartões de entrada com renda exigida abaixo de R$ 2.999, como os Gold, que oferecem anuidade menor ou isenta, mas acumulam milhas e, em alguns casos, oferecem benefícios para quem viaja.
Alguns destaques nessa faixa em 2026:
C6 Bank Carbon Mastercard Black: diferente dos demais cartões Black do mercado, o C6 Bank Carbon não exige renda mínima e pode ser solicitado em poucos passos, abrindo a conta digital sem sair de casa, mediante análise de crédito. Oferece acesso a salas VIP Mastercard Black em Guarulhos e acúmulo de pontos no programa Átomos do C6 Bank.
PicPay Card Epic: o PicPay Epic oferece até 4% de cashback, 2 acessos anuais a salas VIP do programa LoungeKey e assinatura do Amazon Prime incluída. A anuidade é de R$ 1.068 — com primeira anuidade gratuita disponível para clientes selecionados.
Gol Smiles Visa Platinum: para quem voa frequentemente pela Gol, o cartão co-branded da Smiles é uma das formas mais rápidas de acumular milhas para resgates na própria companhia. Os lounges Gol Smiles estão presentes em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Cartão TAP Platinum (BTG Pactual): oferece 3,5 milhas por dólar em compras no exterior e 4 milhas por dólar em compras na TAP, além de duas bagagens grátis em voos TAP por ano e anuidade gratuita para gastos acima de R$ 10 mil por mês. Ideal para quem viaja regularmente para Portugal e Europa via TAP Portugal.
Como calcular se a anuidade de um cartão premium compensa
A anuidade de um cartão de viagem só vale a pena quando o valor dos benefícios usados supera o custo pago. Esse cálculo é simples e deve ser feito antes de qualquer contratação.
Primeiro, liste os benefícios que você vai usar de verdade. Sala VIP que você nunca usa, seguro viagem que você vai contratar separado e cashback em categorias onde você não gasta não entram no cálculo.
Segundo, atribua valor monetário a cada benefício usado. Um acesso a sala VIP equivale a aproximadamente US$ 32 a US$ 49 cobrado por visita nos programas pagos — entre R$ 165 e R$ 252 por entrada. Quem entra em sala VIP quatro vezes por ano já tem entre R$ 660 e R$ 1.008 em economia só com esse benefício.
Terceiro, calcule o retorno em milhas. A regra prática mais usada no mercado: milhas valem entre R$ 0,02 e R$ 0,04 cada quando resgatadas em passagens aéreas de longa distância. Quem acumula 50.000 milhas por ano tem entre R$ 1.000 e R$ 2.000 em passagens — dependendo do programa e do resgate.
Quarto, some o valor dos benefícios usados e compare com a anuidade. Se o resultado for positivo, o cartão compensa. Se for negativo, um cartão de menor anuidade entrega mais valor líquido para o seu perfil.
Exemplo prático: cartão com anuidade de R$ 1.068, 4 acessos a sala VIP (R$ 800 em economia), 30.000 milhas acumuladas no ano (R$ 900 em resgates estimados) e seguro viagem incluído (R$ 300 de economia na contratação separada). Total de benefícios usados: R$ 2.000. Custo da anuidade: R$ 1.068. Resultado: R$ 932 de retorno líquido no ano.
O que fazer antes de escolher o seu cartão de viagem
Escolher o cartão de viagem certo em 2026 exige três passos simples que a maioria dos viajantes pula.
Primeiro, mapeie seu perfil real de viagem: quantas viagens por ano, destinos predominantes (doméstico, EUA, Europa, Ásia), se viaja sozinho ou acompanhado e qual é o volume mensal de gastos no cartão. Sem esse mapeamento, qualquer comparação é superficial.
Segundo, verifique as metas de isenção de anuidade antes de contratar. A diferença entre pagar R$ 1.068 de anuidade e pagar zero pode ser simplesmente direcionar as compras do mês para um único cartão — concentrando gastos que antes estavam dispersos em múltiplos cartões.
Terceiro, não acumule cartões de viagem desnecessariamente. Ter três cartões Black diferentes raramente entrega mais valor do que um bem escolhido — e divide os gastos, dificultando atingir as metas de isenção de anuidade em qualquer um deles. A estratégia mais eficiente é um cartão principal de viagem, usado para concentrar o máximo de gastos, e no máximo um cartão de débito internacional — como a Wise — para compras no exterior onde o câmbio faz diferença.
O mercado de cartões para viagem no Brasil nunca foi tão competitivo. Isso é bom para o viajante — mas exige atenção para não ser seduzido por benefícios que parecem atrativos no papel e na prática nunca são usados.
Nota: anuidades, metas de isenção, taxas de pontuação e benefícios descritos neste artigo foram verificados em fontes públicas e nos sites dos emissores em 2026. Esses valores estão sujeitos a alteração pelas instituições a qualquer momento. Consulte sempre o site oficial do banco emissor para confirmar as condições vigentes antes de contratar ou migrar de cartão.