O brasileiro viaja mais do que nunca. Em 2025, o turismo internacional emitido pelo Brasil bateu recordes históricos, com mais de 10 milhões de viagens internacionais realizadas por brasileiros ao longo do ano, segundo dados da Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV). Para 2026, a tendência de crescimento continua — impulsionada pela valorização do real frente a algumas moedas, pela expansão de rotas aéreas diretas e pelo aumento da oferta de pacotes acessíveis para destinos antes considerados exclusivos.
Mas escolher bem o destino faz toda a diferença entre uma viagem memorável e uma experiência frustrante. Câmbio desfavorável, exigências de visto, infraestrutura local, segurança e custo de vida no destino são variáveis que impactam diretamente o bolso e a experiência do turista brasileiro. Este guia reúne os melhores destinos internacionais e nacionais para 2026, organizados por perfil de viagem, com informações práticas sobre custo, visto e o que esperar em cada lugar.
Europa: os destinos clássicos e os que estão fora do radar
A Europa segue como o continente mais desejado pelos turistas brasileiros de classe média e alta. Portugal, França, Itália e Espanha dominam as listas de preferência há anos — mas em 2026, destinos menos óbvios começam a ganhar espaço entre brasileiros que já fizeram o roteiro clássico e buscam experiências menos massificadas.Portugal continua sendo o destino europeu mais acolhedor para o brasileiro — pela língua, pela cultura compartilhada e pela infraestrutura turística madura. Lisboa e Porto são as portas de entrada, mas o Alentejo, os Açores e o Douro Valley têm atraído viajantes que buscam natureza, gastronomia e ritmo mais lento. O custo de vida em Portugal subiu nos últimos anos, especialmente em Lisboa, mas ainda é inferior ao de França, Alemanha e Reino Unido.
Itália e França seguem indispensáveis para quem vai à Europa pela primeira vez. Roma, Florença, Veneza, Paris e a Riviera Francesa são roteiros consolidados, com infraestrutura turística robusta e grande familiaridade com turistas de língua portuguesa e espanhola. O ponto de atenção é a alta temporada — julho e agosto transformam essas cidades em aglomerações caras e cansativas. Viajar entre março e maio ou entre setembro e outubro reduz custos e melhora a experiência.
Os destinos europeus que crescem em procura entre brasileiros em 2026 são:
- Albânia: custo de vida muito baixo para padrão europeu, praias do Adriático ainda pouco exploradas e sem exigência de visto para brasileiros
- Geórgia: gastronomia única, arquitetura histórica, vinhos e custo acessível — sem visto para brasileiros e com voos com uma conexão a partir de São Paulo
- Sérvia e Bósnia: Belgrado e Sarajevo têm história densa, custo baixo e estão fora do circuito massificado
- Eslováquia e Eslovênia: natureza exuberante, cidades medievais preservadas e acesso fácil a partir de Viena ou Budapeste
Comparativo entre destinos europeus por perfil de custo e acesso:
Destino / Visto necessário / Custo diário médio / Melhor época / Perfil ideal
- Portugal: Schengen / € 80 a € 150 / Mar a Jun / Primeira viagem, cultura
- Itália: Schengen / € 100 a € 180 / Abr a Jun / Arte, gastronomia
- Albânia: Não / € 40 a € 70 / Mai a Set / Economia, praias
- Geórgia: Não / € 35 a € 60 / Mai a Out / Aventura, gastronomia
- Eslovênia: Schengen / € 70 a € 120 / Jun a Set / Natureza, trilhas
Os valores de custo diário incluem hospedagem econômica a intermediária, alimentação e transporte local, sem contar passagem aérea. Câmbio e disponibilidade de voos diretos podem alterar significativamente o custo total da viagem.
“O viajante brasileiro está mais sofisticado e menos dependente dos roteiros prontos das agências”, observa Daniela Moura, consultora de turismo especializada em viagens personalizadas para o mercado brasileiro com experiência em mais de 40 países. “Vejo um crescimento expressivo de interesse por destinos da Europa Oriental e do Cáucaso — lugares onde o real ainda tem poder de compra real e a experiência cultural é autêntica.”
América do Sul: vizinhos que surpreendem e custam menos
Viajar pela América do Sul é uma das opções mais acessíveis para o turista brasileiro — sem exigência de visto na maioria dos países, com voos relativamente curtos e custo de vida em geral inferior ao europeu. Em 2026, três destinos se destacam como os melhores da região para brasileiros.A Colômbia vive um momento turístico especial. Cartagena das Índias, com seu centro histórico colonial e praias do Caribe, é o destino mais procurado — mas Medellín, Bogotá e a Zona Cafetera têm conquistado brasileiros que buscam experiências urbanas e de natureza além do litoral. O país não exige visto para brasileiros, tem voos diretos de São Paulo, Rio e outras capitais, e o peso colombiano tem se mantido favorável para quem viaja com reais.
O Peru é destino obrigatório para quem ainda não fez a trilha Inca até Machu Picchu — e continua sendo um dos roteiros mais completos da América do Sul, com gastronomia reconhecida mundialmente, arqueologia pré-colombiana e paisagens que vão do deserto costeiro ao altiplano andino. A altitude de Cusco (3.400 metros) exige pelo menos dois dias de aclimatação antes de atividades físicas intensas.
A Argentina voltou ao radar dos brasileiros em 2026. Após anos de câmbio desfavorável e instabilidade econômica, Buenos Aires recuperou parte da atratividade para turistas estrangeiros. A cidade oferece gastronomia de alto nível, vida cultural intensa, arquitetura europeia e uma infraestrutura turística consolidada — com custo ainda competitivo em relação a destinos europeus.
Comparativo entre destinos sul-americanos:
Destino / Visto / Custo diário médio / Destaque principal
- Colômbia: Não / R$ 250 a R$ 450 / Praias, cultura urbana
- Peru: Não / R$ 200 a R$ 380 / Machu Picchu, gastronomia
- Argentina: Não / R$ 280 a R$ 500 / Buenos Aires, vinhos, Patagônia
- Chile: Não / R$ 320 a R$ 550 / Natureza, Atacama, Patagônia
Os valores são estimativas para hospedagem intermediária, refeições e transporte local, sem incluir passagem aérea. As cotações de moedas locais variam — sempre verifique o câmbio atual antes de planejar o orçamento.
Estados Unidos e Caribe: o sonho americano e as praias do Caribe
Os Estados Unidos seguem sendo um dos destinos mais desejados pelos brasileiros, apesar do câmbio desfavorável e da exigência de visto. Miami, Orlando, Nova York e Los Angeles concentram a maior parte das viagens — mas o roteiro americano tem muito mais a oferecer para quem já conhece os destinos clássicos.O visto americano para turistas brasileiros — o B1/B2 — exige entrevista consular, comprovação de vínculos com o Brasil e pode ter espera de meses dependendo da cidade e do período. Em 2026, os tempos de espera para agendamento de entrevista variam entre 30 e 180 dias dependendo do consulado. Quem planeja viajar aos EUA deve iniciar o processo de visto com pelo menos seis meses de antecedência.
Para o Caribe, as opções mais procuradas por brasileiros são:
- Cancún e Riviera Maya (México): excelente custo-benefício, sem exigência de visto, voos diretos de São Paulo e Brasília e uma infraestrutura hoteleira de padrão internacional com preços mais acessíveis que o Caribe anglófono
- República Dominicana (Punta Cana): pacotes all inclusive com preços competitivos, praias de areia branca e mar turquesa, sem visto para brasileiros
- Cuba: destino único pela cultura, arquitetura e custo baixo — mas com limitações de infraestrutura que exigem planejamento cuidadoso
- Aruba e Curaçao: ilhas holandesas com padrão europeu de infraestrutura, segurança elevada e praias entre as mais bonitas do Caribe — custo mais alto, mas experiência diferenciada
O Caribe mexicano — especialmente Cancún e Tulum — se consolida como o destino de praia internacional mais acessível para o brasileiro em 2026, com pacotes all inclusive que partem de R$ 4.000 por pessoa em voos de São Paulo, incluindo hospedagem e alimentação.
Ásia: Japão, Tailândia e os destinos que valem o voo longo
A Ásia entrou definitivamente no roteiro dos turistas brasileiros de classe média. O voo longo — geralmente entre 20 e 30 horas com conexões — ainda é o principal obstáculo, mas a experiência cultural radicalmente diferente, a gastronomia e o custo de vida acessível de países como Tailândia e Vietnã compensam o esforço da viagem.
O Japão é o destino asiático mais desejado por brasileiros em 2026. Tóquio, Quioto, Osaka e Hiroshima formam o roteiro clássico, mas há uma Japão profunda — de pequenas cidades, onsen (banhos termais), templos remotos e natureza exuberante — que poucos turistas exploram. O país é seguro, organizado e com infraestrutura impecável. O custo de vida subiu nos últimos anos com a valorização do iene, mas ainda é competitivo em relação à Europa Ocidental. Brasileiros precisam de visto para o Japão — o processo é feito pela Embaixada Japonesa no Brasil e geralmente leva entre 5 e 10 dias úteis.
A Tailândia segue sendo o destino asiático de melhor custo-benefício para brasileiros. Bangkok, Chiang Mai, Phuket e as ilhas do sul do país atendem a perfis muito diferentes de viajante — do mochileiro ao turista de luxo. Sem exigência de visto para estadas de até 30 dias, com gastronomia de rua excepcional e custos diários que podem ficar abaixo de R$ 300 por pessoa com conforto, a Tailândia é uma das melhores escolhas para quem quer estrear na Ásia.
Comparativo entre destinos asiáticos:
Destino / Visto / Custo diário médio / Destaque
- Japão: Sim / R$ 400 a R$ 700 / Cultura, tecnologia, gastronomia
- Tailândia: Não (até 30 dias) / R$ 200 a R$ 400 / Praias, templos, custo-benefício
- Vietnã: Não (até 45 dias) / R$ 150 a R$ 300 / Natureza, gastronomia, história
- Indonésia (Bali): Não / R$ 180 a R$ 350 / Espiritualidade, surf, natureza
Brasil: os melhores destinos nacionais que muitos brasileiros ainda não conhecem
O Brasil tem alguns dos destinos naturais mais impressionantes do planeta — e boa parte dos brasileiros os conhece menos do que conhece destinos internacionais. Em 2026, o turismo doméstico segue aquecido, impulsionado pela diversidade de paisagens, pela ausência de burocracia de visto e pelo câmbio que torna as viagens internacionais mais caras.Os Lençóis Maranhenses são um dos espetáculos naturais mais únicos do mundo — e ainda pouco visitados em relação ao que merecem. O parque nacional no Maranhão reúne dunas de areia branca e lagoas de água doce azul-turquesa que se formam entre os meses de julho e setembro, após o período de chuvas. O acesso mais comum é via Barreirinhas, com voos conectando São Paulo e outras capitais a São Luís.
Outros destinos brasileiros que merecem estar no roteiro de qualquer turista em 2026:
- Chapada dos Veadeiros (GO): cerrado preservado, cachoeiras, trilhas e céu estrelado entre os mais bonitos do Brasil
- Jericoacoara (CE): vila de pescadores transformada em destino de classe mundial, com lagoas, dunas e kitesurf
- Fernando de Noronha (PE): arquipélago com restrição de visitantes que garante preservação ambiental e qualidade de experiência — mas exige planejamento com meses de antecedência
- Bonito (MS): ecoturismo de mergulho em rios cristalinos com controle rigoroso de visitantes
- Alter do Chão (PA): chamada de “Caribe amazônico”, tem praias de rio de água limpa e arquipélagos formados sazonalmente no Rio Tapajós
- Serra Gaúcha (RS): Gramado, Canela, Bento Gonçalves e Flores da Cunha oferecem arquitetura europeia, gastronomia italiana e alemã, vinícolas e clima frio que poucos associam ao Brasil
Para viagens domésticas a destinos remotos — como os Lençóis Maranhenses, Alter do Chão ou o Pantanal — vale considerar um seguro viagem nacional com cobertura de remoção aérea de emergência, dado que a infraestrutura hospitalar nessas regiões pode ser limitada em casos graves.
Planejamento e dicas práticas para viajar melhor em 2026
Escolher o destino é apenas o começo. A diferença entre uma viagem bem-sucedida e uma cheia de contratempos está nos detalhes do planejamento — e alguns deles são frequentemente negligenciados por turistas brasileiros.
Sobre documentação e visto: comece o processo de visto com pelo menos três a seis meses de antecedência para destinos que exigem entrevista consular, como Estados Unidos e China. Para o visto Schengen, o ideal é solicitar com dois a três meses de antecedência, especialmente nos meses de verão europeu, quando os consulados ficam sobrecarregados.
Sobre câmbio e pagamentos: pesquise com antecedência quais moedas são aceitas no destino e se cartões internacionais funcionam amplamente. Em países como Cuba e alguns destinos da África, o dinheiro em espécie ainda é essencial. Cartões com isenção de IOF e de tarifa de câmbio — como alguns cartões específicos do mercado brasileiro voltados para viagens internacionais — reduzem custos significativamente.
Sobre seguro viagem: nunca embarque para o exterior sem seguro ativo. Para viagens nacionais a destinos remotos, considere planos com remoção aérea de emergência. Contrate sempre antes do embarque — não existe cobertura retroativa.
Sobre temporada: viajar fora da alta temporada reduz custos em 30% a 50% em hospedagem e até 40% em passagens, além de proporcionar experiências melhores com menos filas e mais contato com a cultura local. Na Europa, setembro e outubro são meses excelentes — clima agradável, turismo menos intenso e preços mais baixos.
Viajar bem em 2026 exige planejamento, mas não precisa de orçamento ilimitado. Com destino certo, época certa e organização antecipada, o mundo está mais acessível do que nunca para o turista brasileiro.
Nota: os valores de custo diário, câmbio e informações sobre vistos mencionados neste artigo são referências baseadas em dados disponíveis no início de 2026 e podem variar ao longo do ano. Sempre consulte os sites oficiais das embaixadas para informações atualizadas sobre vistos e a plataforma da sua agência ou companhia aérea para cotações reais de passagens e pacotes.